Acidente
14 de junho de 2009
Sou lançado à 150 metros. Com meu rosto colado no granulado do asfalto, enfim conheço a sensação de ser atropelado por um carro à 90KM. No chão, vai-se tudo. Não importa o estado de seus sapatos ou seu próprio estado.
Aqui com a cara no piche, tenha a impressão que a cidade desacelera, as pessoas ficam devagar ao meu redor e os carros também, como se quisessem descobrir minha identidade ou saber se é alguém conhecido.
Me sinto importante com meu feito. Consegui parar os dois sentidos da Av. Ibirapuera atrasando centenas de vidas que passariam por este cruzamento em plena manhã.
Mas a sensação é passageira, logo lembro que não porto documentos e que simplesmente sou um corpo largado naquele chão, sem identificação e que muitas pessoas podem estar praguejando contra mim neste momento.
Em fração de segundos sou socorrido e levado ao hospital mais próximo da região. Penso em o que meus familiares pensarão e sentirão ao receberem a notícia (se receberem).
Mas não passo de mais um entre os cerca de 80 paulistanos que são atropelados diariamente nas ruas da metrópole.
Todavia, fui o único que escolheu uma terça-feira às 8:13 para me atirar na frente de um carro, me sinto tão especial…
Trem
31 de maio de 2009
Muitos aqui não sabem com o que se depararão na volta para casa.
Os que não tiveram tempo de se despedir da mãe, poderão não encontrá-la mais com vida.
O cachorro que tanto late morrerá, uma vez que com a pressa, esquecerão de alimentá-lo, assim como os peixes do aquário que passarão à boiar ao invés de nadar.
Sem ter tempo de assistir ou ler o periódico, perderão a noção dos acontecimentos, se perdendo de quando e onde estão.
O leite que azeda, o café que esfria, o presunto que cheira mal, são apenas uma das coisas que nos farão perceber que já não temos tempo, nem para o café da manhã, nem para nos alimentarmos.
Caminhamos, rumamos em longas pernadas, ao passo que já não cheiramos, não sentimos, não somos.
Mas por favor, sem preciosismos ou pensamentos frívolos, vamos logo! do contrário, chegaremos atrasado ao trabalho. Minha estação é essa.
John Coltrane - Naima
18 de maio de 2009
Sem título e sem surpresas
4 de maio de 2009

Claude Debussy - Clair de lune
4 de março de 2009
Navidad
25 de dezembro de 2008
Perdón, no festejamos la navidad.
El Papá Noel ya murío.
Saludos.
05:12 AM - santos
10 de novembro de 2008
Dançando comigo mesmo, se não chegar ninguém e estiver afim
eu danço comigo mesmo ô ô ô ô
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2 de novembro de 2008
…
Tengo miedo del encuentro
Con el pasado que vuelve
A enfrentarse con mi vida…
Tengo miedo de las noches
Que pobladas de recuerdos
Encadenan mi soñar…
Pero el viajero que huye
Tarde o temprano detiene su andar…
Y aunque el olvido, que todo destruye,
Haya matado mi vieja ilusion,
Guardo escondida una esperanza humilde
Que es toda la fortuna de mi corazón.
Volver…
Carlos Gardel
Cartola - Preciso me encontrar
13 de outubro de 2008
Formigas
5 de outubro de 2008
Ao longo do dia, perdemos centenas de chances de conhecermos novas pessoas, de ao menos ouvi-las. Perdemos a oportunidade de mudar a vida destas pessoas ou de elas mudarem as nossas.
Presos em nossa rotina e ao nosso mundo limitado, perdemos a oportunidade de simplesmente olharmos a janela ou conhecer os milhares de lugares desenhados no mapa Mundi, lugares que acabaremos morrendo sem conhecer.
É tão difícil enxergarmos quanto estamos presos ? Cego é o que somos e livres é o que pensamos ser.
A vida segue a passar e as pessoas apenas a se cruzar. Sem conhecermos a história de quem nós cruzamos nem o céu que olhamos.
Marchamos, mas não como sonhadores e humanos. Marchamos como formigas operárias, em que o destino se resume à apenas trabalhar/estudar em pró de uma colônia, sem nos importarmos com quem está ao nosso lado.
Torrar dinheiro é nossa sina e acumular Capital o nosso destino, pois é com isso que a colônia se importa, apenas isso.